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Criando Personagens “Reais”

Por Ccoa, Traduzido por Gleen – Postada originalmente para a comunidade “Vila Makers”, agora fechada.

Obs: Alguns exemplos no artigo são diferentes nesta tradução do que os exemplos expostos no artigo original em inglês, isso se deve ao fato da Ccoa usar passagens pessoais de sua vida, as quais eu não vivi, por isso troquei estas mesmas passagens por experiências minhas.

Makers iniciantes tendem a focar unicamente no roteiro e nos sistemas de seu projeto, e acabam esquecendo dos tão importantes personagens. Memoráveis, interessantes, e acima de tudo, personagens “reais” podem fazer seu jogo ser um sucesso, ou um total fracasso. Pensem em filmes como O Exterminador do Futuro – um filme padrão de ação, mas que possui personagens complexos e interessantes que o fizeram ficar na memória de quem viu.

Para criar um personagem “real”, este personagem não pode ser apenas um veiculo para o roteiro. Eles devem ser pessoas reais com seus próprios pensamentos. Uma vasta lista de costumes simples – cor favorita, personalidade, crenças, etc, não faz de seu personagem um personagem “completo”. um personagem “completo” é uma pessoa “real” jogada numa situação fictícia. Pessoas reais são uma combinação de emoções, sentimentos e impulsos – seu modo de ser, como pavio curto, boa memória, etc… junto com as experiências que obtiveram até então.

Por exemplo, em casa eu convivo com 6 mulheres, só há eu e meu pai de homens na casa, é obvio que eu tenho um tendência a me dar melhor com mulheres do que com homens…

Então como você cria um personagem “real”? Você deve destrinchar quem eles são em um nível muito profundo. Seu personagem principal é um garoto rebelde com apetite para aventura? Bem clichê e bi-dimensional numa primeira checagem. Contudo, se seu personagem principal se tornou órfão muito cedo na vida e tece de criar suas duas irmãs até estas se casarem, e depois disso decidiu ter uma segunda infância, ele é muito mais interessante. Além disso você vai ter muito material para basear as reações de seu personagem diante uma determinada situação – se ele entrar numa verdadeira confusão, ele vai aguentar a barra ou vai entrar em pânico percebendo que sua decisão foi impulsiva e não devidamente calculada?

Se você está com problemas para destrinchar as personalidades, eu recomendo o uso de alguma coisa como um teste de personalidade para usar de base. Você também pode utilizar pessoas reais que você conhece como base. Se você é especialmente criativo(ou talvez especialmente conturbado), se imagine em uma conversa com seu personagem. Pergunte a ele o que ele faz, e o que faria em situações x e/ou y.

Por exemplo, a partir deste teste de personalidade, meu vilão é um Tipo 1, nível 8. Isto quer dizer: “Obsessivo com a imperfeição e erros dos outros, apesar de cair em situações controversas, hipocritamente fazendo o oposto do que eles crêem”. Isto é uma boa base para um vilão, agora você deve determinar o que fez ele ficar assim. Em sua juventude ele foi um brilhante e bem sucedido pesquisador do império. Ele tinha uma boa esposa que estava esperando seu primeiro filho. Neste ponto, sua saúde mental para personalidade tipo 1, era nível 2.

Contudo, sua pesquisa por armas mágicas foi acidentalmente parar em mãos de um grupo rebelde, que por sua vez utilizou a arma para atacar o império, matando sua mulher, seu filho que nem havia nascido ainda, seus pais e seus amigos. Ele assistiu o caos resultante da busca desenfreada pelo poder por parte do império, ficou horrificado com tantas mortes e desapareceu. Ficou obcecado para prevenir que outra coisa igual a esta acontecesse novamente. Para este fim, ele usou magias proibidas para estender sua vida, e começou a procurar meios de remover a magia do mundo para todo sempre, para o bem dos homens.

A seguir, imagine a pessoa que você criou em várias situações de seu roteiro, e então examine a você mesmo. Faça com que as reações e ações de seu personagem sejam reais e espontâneas. Não o faça agir simplesmente por que é necessário para avançar no enredo.

Pegue o vilão acima como exemplo. Num determinado ponto, suas criações que foram feitas para tirar do mundo a magia irão o desertar da humanidade. Invés de aceitar sua falha ao executar tal missão fazendo com que mais “armas” de mágica se espalharam pelo mundo, ele vai tentar recria-las.

Para concluir, a personalidade da pessoa deve aparecer na sua forma de falar. Ele é orgulhoso e chato? Talvez ele deva ficar de braços cruzado enquanto insulta os outros personagens. Ele é tímido e reservado? Talvez ele deve olhar para o chão e falar olhando para seu próprio pé, falar pouco e em curtas frases.

Seus personagens devem ser completamente integrados ao seu roteiro. Toda e qualquer coisa que façam devem ser embasadas em sua personalidade. Assim você terá personagem “reais”.

4 respostas a Criando Personagens “Reais”

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